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Quem Somos

O Curso de Serviço Social em Alagoas surge em 1957, sendo reconhecido pela Portaria 47.53329 de dezembro de 1959. Esse curso é instituído na Escola Padre Anchieta, cuja formação profissional articula, inicialmente, os princípios doutrinários de base confessional com os fundamentos teórico-metodológicos das Ciências Sociais. No final dos anos de 1970, com as mudanças no que se refere à política de Educação do Ensino Superior no Brasil, o Curso de Serviço Social passa a integrar a Universidade Federal de Alagoas, inicialmente, funcionando no Campus Tamandaré e, posteriormente, no Campus A.C. Simões. Em 2006, a Universidade Federal de Alagoas reorganiza-se institucionalmente a partir das Diretrizes do Ministério da Educação - MEC, aprovando um novo Estatuto e Regimento Interno, cujos cursos de graduação, nessa lógica, compõem as novas Unidades Acadêmicas (Faculdades, Escolas e Institutos). Nessa reorganização institucional, o Departamento de Serviço Social altera-se e transforma-se em Faculdade de Serviço Social, aglutinando os Cursos de Graduação e de Pós-graduação (Lato Sensu e Strictu Sensu) em Serviço Social.

O processo de formação do assistente social, no Brasil, responde a uma necessidade histórica. A formação profissional corresponde à formação acadêmica teórico, metodológica, política e se inscreve numa dada realidade social. É, desse modo, um processo marcado pelo movimento complexo das classes na sociedade, e reflete o debate teórico, político travado pela profissão ao longo de sua trajetória histórica, tendo em vista responder às manifestações da questão social nos marcos do capitalismo monopolista em expansão. A relação entre a profissão e a realidade manifesta-se concretamente quando do enfrentamento da questão social, constituindo-se o eixo fundante das novas diretrizes curriculares.

O atual projeto de formação profissional tem a questão social como pressuposto, assumindo como argumentação central a tese de que o significado sócio-histórico e ídeo-político do Serviço Social está inscrito no conjunto das práticas sociais que são acionadas pelas classes e mediadas pelo Estado, em face das seqüelas da questão social. Tal argumentação confirma a particularidade do Serviço Social como profissão que está intrinsecamente articulada às configurações estruturais e conjunturais da questão social, bem como de seu enfrentamento histórico. Sugere-se neste projeto de formação profissional um tratamento teórico, histórico e metodológico rigoroso da questão social.

O tratamento crítico e rigoroso da questão social, considerando a particularidade nacional, regional e local, pressupõe o conhecimento e domínio de teorias no campo das Ciências Sociais e da teoria social de Marx. Isso implica destacar a dimensão pluralista na formação profissional que permita o acesso ao conhecimento produzido pela sociedade que possibilite a análise critica da sociedade contemporânea a partir do desvelamento das relações sociais capitalistas (produção e acumulação), da organização das forças produtivas materiais, da conjuntura política, das formas de regulação social (Estado) a da dinâmica das classes na sociedade.

A revisão curricular do Curso de Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas – UFAL vem atender as novas exigências para a formação dos Assistentes Sociais, proposta pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social – ABEPSS. Essas exigências têm por determinação traços da conjuntura brasileira nos últimos anos, pondo novos desafios às atividades profissionais e o próprio desenvolvimento histórico profissional, requerendo revisão no processo de formação existente frente às mudanças na realidade social.

O currículo mínimo proposto pela ABEPSS resulta de um amplo processo de debate entre as Unidades de Ensino de Serviço Social brasileiras, com o apoio do Conselho Federal de Serviço Social – CFESS e da Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social – ENESSO, realizado desde 1994, com vistas a revisão do currículo implantado em 1984. Este processo culminou com a elaboração do documento base do currículo mínimo aprovado em Assembléia Geral Extraordinária de 08 de novembro de 1996, contido na proposta de Diretrizes Gerais para o Curso de Serviço Social.

Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases – LDB em 20 de dezembro de 1996 e a conseqüente reforma do ensino, as Diretrizes Curriculares foram encaminhadas para aprovação à Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação e do Desporto – SESU/MEC, passando a tramitar nesta instituição. Uma comissão de especialistas na área de Serviço Social, por convocação da referida Secretaria aprecia a matéria e, em consonância com as diretrizes propostas pela ABEPSS, e com a Lei 8662 de 07 de junho de 1993 que regula a profissão de Assistente Social, define o Perfil do Bacharel em Serviço Social como: profissional que atua nas expressões da questão social, formulando, implementando e avaliando propostas para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais, políticas públicas, dos movimentos sociais e das organizações do terceiro setor; profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica; profissional comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente Social.

A formação em Serviço Social deve estar pautada em currículos plenos dotados de flexibilidade e de uma dinâmica presentes na organização de todos os componentes da estrutura curricular, compondo os princípios da formação profissional associados ao rigoroso trato teórico e metodológico da realidade social e do Serviço Social, de forma que possibilite a compreensão dos problemas e desafios com os quais o profissional se defronta no universo da produção e reprodução da vida social.

As dimensões investigativa e interpretativa constituem princípios formativos e condição central da formação profissional e da relação teoria e realidade. A direção social do curso se faz presente nos princípios da formação profissional e na adoção de uma teoria social crítica que possibilite a apreensão da totalidade social em suas dimensões universalidade, particularidade e singularidade. Ao mesmo tempo enfatiza o exercício do pluralismo como elemento próprio da vida acadêmica e profissional, impondo-se o necessário debate sobre as várias tendências teóricas que compõem a produção das ciências humanas e sociais.

A condução da formação profissional no Curso de Serviço Social da Universidade Federal de Alagoas toma por base as definições das Diretrizes Curriculares, aprovadas, em 1996, na Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço social - ABEPSS, adotando ainda uma postura analítica frente à necessidade de reorganização da grade e de algumas adequações de conteúdos aos novos e aos já vigentes componentes do currículo que passa a vigorar em 2003, com um trato rigoroso, reflexivo e plural, em relação ao conceito de trabalho e questão social, concepção da profissão, entre outros necessários à formação. Nesta mesma perspectiva conduz a análise da realidade social, das políticas sociais e dos objetos da prática profissional.

Além dessas informações sobre o projeto de formação profissional e do processo de revisão curricular do Curso de Serviço Social em Alagoas, acrescente-se que as mudanças nas formas de gestão da força de trabalho e das políticas sociais, decorrentes das transformações societárias exigem o redimensionamento da intervenção dos assistentes sociais sobre as expressões da questão social. Desse modo, as tendências do mercado de trabalho, no Estado de Alagoas, impõem desafios à formação profissional que exigirá, continuamente, a análise das demandas sociais, institucionais e do perfil do assistente social na realidade. Segundo dados investigados pelo grupo de pesquisa Serviço Social, Trabalho e Direitos Sociais do Departamento de Serviço Social da UFAL e pelo Conselho Regional de Assistentes Sociais – CRESS/AL, concentra-se no setor público o maior empregador de assistentes sociais 58%, seguindo do setor privado com 19,85% e do terceiro setor com 16,80 %, (2002, p.12). Nas instituições de natureza pública, a área de atuação profissional de maior incidência é na saúde (69,02%) em segundo lugar a assistência social 46,15%. Nas instituições privadas, a área de recursos humanos corresponde a 48, 8% de assistentes sociais contratados (2002, p.13). Esses dados, sinteticamente apresentados, confirmam as tendências das pesquisas sobre o mercado de trabalho, realizadas pelo Conselho Federal de Assistentes Sociais - CFESS de que o maior empregador de assistentes sociais, no Brasil, ainda é o setor público. Essas informações sobre a realidade profissional são de grande valia no processo de formação acadêmica, na medida em que possibilita a reflexão, nos diversos componentes curriculares, sobre as alterações da profissão na sociedade.