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11/10/2010 10h56 - Atualizado em 13/08/2014 02h17

Mais sobre Rojo

Fruto de uma residência artistica do NACE- Núcleo Trnasdisciplinar de Pesquisa e Artes Cênicas da UFAL no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, a montagem cênica “Rojo”  parte da idéia de que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias (SINESTESIA: Palavra derivada do Grego sýn, juntamente + aísthesis, sensação, e significa a relação subjetiva que se estabelece espontaneamente, entre uma percepção e outra que pertence ao domínio de um sentido diferente. Por exemplo, um perfume que evoca uma cor ou um som que invoca uma imagem, provocando comoção e emoção e sobretudo produções de sentidos de quem observa a obra ao ser atravessado por imagens e sensações.

“Rojo” é resultado de um projeto de PIBIC- Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, em andamento, desenvolvido pelo NACE-Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares/UFAL (Universidade Federal de Alagoas), com bolsas de Iniciação Científica da PROPEP (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação), PROEST (Pró-Reitoria Estudantil)  e FAPEAL (Fundação de Amparo a Pesquisa em Alagoas). Para a constituição do espetáculo foi realizada uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar, visando a construção de uma estética constituinte para processos criativos para a cena, fundamentando-se no pensamento de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático de Lehmann.

Participam da montagem as atrizes:  Charlene Diana Santos,  Daniela Beny, Gemma Fidelis de Lima, Joelle Malta,  Maria das Dores Costa, Patrícia Vieira Tomás,  os atores: Jonatha de Albuquerque Vieira, Mauricio do Monte, Thiago de Souza, Udson Pinheiro; e os técnicos: Carolina Moreira Salles,  Henrique Oliveira, Karina Mayara da Silva,  Pâmela Guimarães; e o músico: Marcus Antonio Alves da Silva; e embora trabalhemos com a noção de processo criativo colaborativo, por questões didáticas, metodológicas e de encaminhamentos, criamos núcleos de trabalhos assim constituídos: Figurino:  Dramaturgia: Preparação Corpóreo/vocal. Tem  Concepção Cênica e Direçãode Nara Salles e jonatha Albuquerque e  Assistência de Direção de Pâmela Guimarães. No entanto é importante frisar que todos os participantes tem voz ativa em qualquer instância no momento que desejarem, pois se trata de um processo colaborativo.

O estudo destes dois artistas da arte contemporânea de linguagens distintas, Frida Kahlo, artes visuais e Pedro Almodóvar, cinema, nos deu o aporte necessário para uma inspiração, norteando os processos criativos colaborativos. Os artistas foram selecionados porque encontramos focos interessantes em suas obras: um traduz o universo feminino sob a ótica do ser feminino o outro sob a visão do ser masculino. A dor marcante da vida de Frida Kahlo convertida em arte pode ser vislumbrada às mulheres firmes do universo feminino do cineasta. Ambos trazem embutidas nas obras um convite ao mundo passional, lírico e extravagante, permeados por um universo cheio de cores vibrantes e personagens densos, pode-se fazer um paralelo entre eles também através da coloração quente. Assistir as obras de Almodóvar é como entrever as pinturas de Frida Kahlo. Dor, ódio, dissociação, violência, intolerância, e disputa por poder estão presentes em ambas às obras. A sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim houve uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que escolhemos foi trabalhar de maneira implícita e explícita, nos figurinos com a utilização de decotes, lascões, transparências, langeries e o corpo nu na cena.

Com estas ideias investigamos e estruturamos os elementos que dão forma a cena, compreendendo que os elementos constitutivos da cena não são construídos isoladamente, mas, interconectados, concebidos para acontecer em um tempo e espaço.

Além do estudo da obra de Almodóvar e Kahlo, nos fundamentamos nos estudos teóricos dos escritos de Antonin Artaud e na teoria do teatro pós-dramático, com enfoque e fundamentação no teatro contemporâneo que tem como um dos seus expoentes o Teatro de Processo Colaborativo.

A proposta foi investigar uma forma de processo criativo para estruturação de uma encenação, onde estivessem mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens por causa dos artistas abordados. E neste ponto nos fundamentamos no discurso de Antonin Artaud, o qual tinha um pensamento que condenava a compartimentalização dos saberes e da vida e afirmava:  “Protesto contra a ideia separada que se faz da cultura, como se de um lado estivesse a cultura e, do outro a vida: como se a verdadeira cultura não fosse um meio apurado de compreender e exercer a vida” (1987). Evocando ainda seu pensamento acerca da linguagem constitutiva da estrutura da encenação: "deve ser responsável para agir de todas as maneiras e possuir todos os meios para atuar sobre a sensibilidade do espectador" (Artaud:1987).

Na montagem “Rojo” temos a concepção de que a arte é um conhecimento humano sensível, cognitivo, estético e comunicacional e todo indivíduo deve ter acesso a esse saber. A compreensão estética é uma construção social, pois as idéias articuladas durante a leitura e vivência artística, são engendradas nos -e pelos- contextos culturais e seus discursos. Lembrando que a palavra estética¹ , é derivada do latim, e significa SENTIR e nesta ação se entrecruza uma teia de percepções presentes em diversas práticas e conhecimentos humanos, não necessariamente artísticos, mas, por exemplo, referentes às produções tecnológicas, importantes para a melhoria da qualidade de vida humana, seja na área da saúde, educação, produção agrícola, etc.

O cenário é composto por um cubo  com 7mx5m , e no chão do cubo existe uma lâmina de água,  são colocadas 25 cadeiras de  dentro, os espectadores, ao serem engranzados no espaço pelos atores e atrizes, tem a oportunidade de escolher o local aonde irão assistir a obra, mas tem a oportunidade de colocar os pés dentro da água, que tem forte comotação nas cenas.