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07/05/2009 12h05 - Atualizado em 13/08/2014 00h42

Estudante moçambicana é homenageada pela ONG Maria Mariá

ONG Maria Mariá premia atuação de mobilizadoras sociais, estudante moçambicana da Ufal foi uma das homenageadas

Sônia André, estudante moçambicana homenageada

Lenilda Luna, jornalista, com informações da Agência Alagoas

A Organização Não-Governamental (ONG) Maria Mariá prestou homenagem, nesta quarta-feira, a mulheres e mães que se destacam nas comunidades onde vivem e na sociedade, em geral, pela capacidade de mobilização social. A solenidade foi realizada no restaurante da Federação das Indústrias de Alagoas e reuniu, além das homenageadas, representantes de instituições públicas e não governamentais responsáveis pelas indicações.

A estudante de Música da Ufal, a moçambicana Sônia André, foi homenageada pela implantação do projeto "Cantando e Brincando Aprende-se”, que a partir de 2010 será implantando nas escolas públicas de Moçambique. O projeto propõe estimular o conhecimento e a formação dos professores moçambicanos sobre a disciplina da Educação Musical, a partir do material recolhido nas comunidades escolares das diversas regiões de Moçambique, para ser utilizado didaticamente em sala de aula. Esse material sserá utilizado como ferramenta pedagógica para melhorar a qualidade do ensino. “Queremos levar os professores a valorizarem a música no seu contexto histórico, político e social, respeitando a tradição cultural do lugar”, diz Sônia.

Também foram homenageadas: a líder comunitária da Favela Sururu de Capote, Vânia Teixeira, a quilombola Laurinete Basílio dos Santos, da comunidade Pau D’arco, no município de Arapiraca, a indígena Francisca Silva Medeiros, da Aldeia Boqueirão, de Palmeira dos Índios; a comerciante Maria Cícera Pereira Gomes, vendedora de cosméticos e artesã; a quilombola Marleide Souza Pereira, de Santana do Mundaú, e Maria Isa Virgínio da Silva, que tem histórico de superação na atenção a pessoas necessitadas.

Todas as homenageadas foram indicadas por representantes de instituições como Ufal, Polícia Federal, Câmara de Vereadores de Maceió e de Santana do Mundaú e Secretaria de Educação de Viçosa e Secretaria de Estado da Mulher e da Cidadania.

Com o tema “Mojubá Yèyé”, que na língua yorubá significa “Eu saúdo as mães”, a iniciativa teve como objetivo prestar homenagem a mulheres que, apesar das dificuldades e das limitações sociais exclusivistas, superaram adversidades econômicas e sociopolíticas. “Convocamos as autoridades que indicaram mulheres que têm em seu perfil histórias de superação para que possamos viabilizar parcerias, na intenção de dar visibilidade a pessoas que no seu dia a dia não têm esse reconhecimento público. Pretendemos, com isso, mobilizar a sociedade para a discussão crítica sobre o reconhecimento da contribuição dessas mulheres para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, analisou Arísia Barros, coordenadora do projeto Raízes de África.

A reitora Ana Dayse Dorea ressaltou os valores da estudante da Ufal que foi indicada por ela. “Esta moçambicana é sem dúvida uma mulher e mãe de grande coragem. Veio para Alagoas estudar, trazendo um bebê no colo, e além de se destacar como estudante, ainda foi responsável pela implantação de um projeto que se traduz em um intercâmbio prático entre Alagoas e Moçambique”, declarou a reitora.

Sônia André se disse surpresa com a homenagem e com a repercussão do trabalho dela. “Eu não esperava esse reconhecimento e fico muito emocionada”, disse a estudante. Ela relatou que realmente chegou ao Brasil quando a filha, que agora tem quase três anos, tinha apenas seis meses. “Foi muito difícil no início, tive que me adaptar, procurar alguém para cuidar da minha filha enquanto eu ia para a Ufal, enfrentei alguns problemas, mas  tudo valeu a pena e eu sinto que foi um grande passo para o meu desenvolvimento profissional”, contou Sônia.

No almoço, além de ser homenageada, Sônia André cantou para todos os presentes uma música moçambicana que fala da relação entre mãe e filha. “Nessa música, a filha pergunta para a mãe com quem pode compartilhar o peso da vida senão com ela. E a mãe responde para filha que ela tem tanto direito a estar nesse mundo quanto qualquer pessoa, e ser feliz. Essa é a mensagem de todas as mães para os seus filhos, que eles tenham força e enfrentem a adversidade para conquistar o próprio espaço neste mundo”, conclui a universitária.

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