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04/09/2017 12h51 - Atualizado em 05/09/2017 14h56

Projeto realiza ações voltadas à conservação da mata atlântica

As atividades acontecem em escolas públicas localizadas nas proximidades do Ceca, em Rio Largo

Os alunos, puderam colocar em prática os ensinamentos que receberam durante as palestras

Thamires Ribeiro – estagiária de Jornalismo

Promover interações entre a universidade e a sociedade, na busca por soluções para os problemas que a mata atlântica vem passando. Esse foi um dos principais motivos para o surgimento do projeto de extensão Árvores nativas da mata atlântica: conhecer para conservar. Nele, estudantes do curso de Engenharia Florestal da Ufal realizam palestras em escolas do município de Rio Largo, abordando o histórico e a atual situação do bioma, por meio do Programa Círculos Comunitários de Atividades Extensionistas (Proccaext) realizado pela Pró-reitoria de Extensão (Proex).

Coordenado pelo professor Rafael Ricardo Vasconcelos, o projeto “difunde informações que estimulem o plantio, o uso e a conservação de espécies florestais da mata atlântica, sensibilizando a população sobre a importância socioambiental do bioma”. Além dos estudantes de Engenharia Florestal, a extensão conta com a colaboração de Ana Prata e Patrícia Medeiros, professoras do curso de Agroecologia do Centro de Ciências Agrárias (Ceca), e da técnica em Agropecuária, Camila Almeida.

De acordo com Vasconcelos, o que acarretou a realização do projeto foi a identificação de tensões socioambientais em um dos principais remanescentes da mata atlântica de Rio Largo, descobertas através de pesquisas realizadas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). “Isso nos motivou a interagir e sensibilizar a comunidade escolar sobre o tema, por meio do acesso desses alunos a alguns dos resultados obtidos nessas pesquisas, entre outros assuntos, sempre abordados em uma linguagem adequada ao público jovem”, ressaltou o coordenador.

O professor ressaltou:“O estado de Alagoas apresenta um cenário de acentuada fragmentação da mata atlântica e comprovada ameaça de extinção de espécies arbóreas nativas. E este projeto leva essa questão até a população, buscando envolve-la na luta pela conservação de espécies florestais da mata atlântica”. E acrescentou: “A Universidade vem desenvolvendo inúmeras pesquisas e alcançando resultados interessantes. É fundamental que a sociedade se aproprie dessas informações, entendam o seu papel e participem das soluções”.

Entre as finalidades propostas pelo projeto, está a sensibilização da população sobre a importância socioambiental da mata atlântica e a demonstração dos critérios a serem adotados para identificar e selecionar espécies nativas para as mais diversas finalidades ambientais e econômicas. Sendo assim, o objetivo é estimular o plantio, o uso e a conservação de espécies florestais nativas da mata atlântica de Alagoas.

Aproximação entre Universidade e comunidade

Como estudante de Engenharia Florestal e participante do projeto, Stheffany Lóz, demonstra imensa satisfação com os resultados obtidos e afirma que existe uma troca de conhecimentos entre os alunos das escolas que os recebem e os participantes da extensão. “Nós atuamos como uma ponte, mas a gente aprende demais estando em contato com os alunos, porque passamos a conhecer os tipos de dúvidas e o que não é do conhecimento deles”, afirmou a estudante.

Ela ainda conta que muitos alunos desconhecem a manutenção de árvores e da mata, e é muito importante poder contribuir, esclarecendo as dúvidas. “Nós costumamos ser bem recebidos por eles, há sempre uma curiosidade do porquê levamos a palestra sobre a mata atlântica e um interesse para saber mais do curso. E aí a gente abre espaço para que eles possam questionar”, concluiu Stheffanye.

O envolvimento dos universitários é um dos aspectos mais importantes do projeto, pois são eles quem ministram as palestras nas escolas, abordando o histórico do bioma, dando ênfase nas suas transformações ao longo do tempo. De acordo com o coordenador do projeto, esses estudantes adquirem experiências e conhecimentos para tratar de questões socioambientais de forma integrada aos resultados de pesquisas científicas recém-concluídas na região.

“Além de uma sólida formação nos seus respectivos campos de atuação, o projeto tem proporcionado uma experiência interdisciplinar e de complementaridade entre pesquisa, ensino e extensão, aos futuros profissionais da Engenharia Florestal, possibilitando o contato direto dos mesmos com algumas das demandas sociais relacionadas aos seus campos de atuação”, declarou o coordenador.

Ações em prática

Cerca de 250 alunos de quatro escolas públicas já foram contemplados, tendo acesso a informações sobre a importância e atual situação do referido bioma. E segundo o coordenador do projeto, o objetivo é realizar esse trabalho de forma contínua. “Nossa pretensão é dar continuidade aos trabalhos e ampliar o alcance do projeto, envolvendo uma quantidade cada vez maior de participantes nas comunidades”, afirmou.

Através do projeto, foi realizado um levantamento quali-quantitativo da arborização do Ceca e um diagnóstico fitossanitário dessas árvores que, de acordo com o professor, já estão recebendo placas de identificação e um guia de visitação contendo informações e curiosidades sobre elas. Essa nova fase da extensão, consiste na implantação de uma coleção botânica, em que alunos das escolas que receberam a palestra terão a oportunidade de visitar o campus.

“Esperamos que essas visitas forneçam a alunos das escolas a oportunidade de conhecerem um pouco melhor o patrimônio arbóreo da região e proporcionar uma maior aproximação entre eles e a instituição”, declarou o professor Rafael Ricardo Vasconcelos. Além disso, a pretensão do docente é realizar minicursos sobre coleta de sementes e produção de mudas com os estudantes de escolas públicas e agricultores. As árvores matrizes produtoras de sementes já foram marcadas para essa atividade.

Como consequência do esforço, os resultados iniciais dessas ações foram divulgados em diferentes eventos, como o Congresso Acadêmico de Inovação e Tecnológica 2016 (Caiite) e na 19º Semana de Engenharia Florestal (SEF) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), realizado em Recife.