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11/08/2017 16h00 - Atualizado em 15/08/2017 08h11

Estudante? Sim, sempre.

Conheça a história de quem acredita nos estudos como um ciclo em constante transformação

Quem escolhe estudar, sempre estará vinculado aos livros

Manuella Soares – jornalista e Thamires Ribeiro – estagiária de Jornalismo

Quem é estudante com certeza já ouviu algum professor dizer: “Um dia eu já estive sentado aí no seu lugar”. Na verdade, a cadeira é só uma referência à posição de aluno, mas quem é professor, nunca deixa de ser estudante. Por isso, nesta data onde os discentes são homenageados, a Ufal mostra a história de Thaíssa Lúcio, que acabou de defender sua tese de doutorado e ser aprovada como docente efetiva no Campus Arapiraca. Ela é só mais um exemplo de que quando as escolhas são norteadas pelos estudos o caminho a seguir sempre levará de volta à estas cadeiras.

A nova doutora em Eletroquímica Orgânica entrou na Ufal em 2008 como graduanda. Após concluir o curso de Química e emendar no mestrado da área, na própria Ufal, Thaíssa decidiu não parar mais de se dedicar a aprender sempre. E relembra que a trajetória não foi simples, mas enfatiza que é necessário criar estratégias para resolver os desafios da melhor forma possível e saber agarrar as oportunidades. Para ela, o processo de dedicação já inicia bem antes: “Fui bolsista no ensino fundamental, assim como no ensino médio, exceto no 1º ano, que minha madrinha Evônia arcava com as despesas. E nessa mesma escola em que ganhei a bolsa dos diretores, fui professora e tive as primeiras experiências em sala de aula”, declarou.

Além de considerar sua dedicação e comprometimento como méritos, Thaíssa destacou a relevante participação da comunidade acadêmica durante toda sua formação. “Aqui na Universidade, sempre houve uma organização acadêmica sólida, e eu tive a sorte de ter professores que viam o diferencial nos alunos e os incentivavam de acordo com o perfil”, ressaltou a egressa, relatando a diferença que alguns de seus professores fizeram na sua vida acadêmica, como exemplo, os docentes Laura Cristiane e Vinicius Del Colle.

“Ela é extremamente dedicada e muito responsável. Durante os anos que ficou conosco no PET [Programa de Educação Tutorial] sempre desempenhou espírito de liderança e desenvoltura para lidar com atividades do grupo, bem como na relação interpessoal com os demais integrantes”, expressou Del Colle , coordenador do curso de Química em Arapiraca.

Universidade incentiva mais conhecimentos

Assim como Thaíssa, muitos alunos procuram se engajar em atividades para se aproximar da docência ou da pesquisa científica. A Universidade Federal de Alagoas oferece programas que propiciam aos estudantes enxergar o próprio curso por uma ótica diferente da que ele imaginou ao entrar na graduação.

Foi o que aconteceu com o professor André Lage, em sua época de aluno. “Após ter perdido as disciplinas de um semestre letivo inteiro por falta de motivação na graduação, encontrei na pesquisa um motivo para continuar no curso de Ciência da Computação e, em seguida, ter feito mestrado e doutorado na área. Foi o Pibic [Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica] que me permitiu conhecer e enxergar esse mundo. Foi a oportunidade que me faltava e que eu mal sabia que existia”, contou, com entusiasmo em defender o programa que hoje coordena na Ufal.

“É um Programa que tem uma incrível capacidade de transformar as vidas profissionais das pessoas. Mesmo que elas não sigam a carreira de pesquisador, a experiência na pesquisa científica é fundamental para o amadurecimento do pensamento crítico e da formação de pessoas com capacidade crítica que a sociedade precisa, com o olhar do cientista”, destacou.

No ciclo 2017-2018do Pibic na Ufal houve 1.415 Planos de Trabalhos submetidos por meio de projetos, dos quais 1.331 foram qualificados (907 bolsistas e 424 colaboradores). Isso representa um aumento de 15,6% da demanda qualificada em relação ao ciclo anterior, ou seja, tem muito mais alunos interessados em estudar a ciência com dedicação e disciplina.

Buscar sempre mais é o incentivo da Pró-reitoria de Graduação. “A gente deseja que nossos estudantes tenham muita força, que se tornem sempre aguerridos nos estudos, porque a universidade é o espaço da criatividade, do pensamento crítico, do conhecimento científico, elaborado e sistematizado”, destacou a pró-reitora Sandra Regina Paz.

Já o coordenador de pesquisa da Propep, André Lage, revela um ponto essencial para despertar o interesse do aluno em se aprofundar nos estudos: a empatia. “Nós, pesquisadores, precisamos ter empatia para com os estudantes que estão no seu processo de aprendizado, para que a inserção dos alunos de graduação nas atividades de pesquisa seja mais efetiva e didática. Para isso, é preciso ter muita paciência com os estudantes e dedicar bastante tempo com reuniões, indicações e/ou preparação de materiais de estudo, etc. Acredito que, dessa forma, o engajamento dos alunos na pesquisa científica, seja na graduação ou na pós-graduação, será mais prazeroso e mais eficaz”, disse.

Ufal acolhe egressos com novas oportunidades

A maior instituição de ensino superior pública de Alagoas dispõe de todas as condições para o estudante se qualificar. São 44 programas de pós-graduação, incluindo mestrados acadêmicos, profissionais e, doutorado. Muitos terminam a graduação, mas não encerram um ciclo. Eles voltam para a Ufal com o intuito de aprender mais e se aprofundar nas suas áreas.

“Nós temos cursos de especialização, mestrado e doutorado. É a possibilidade para que os nossos alunos possam voltar à sociedade com compromisso, responsabilidade ética e profissionalismo. É o retorno do investimento que a sociedade faz na universidade”, ressaltou o reitor em exercício, José Vieira Cruz.

Thaíssa regressou várias vezes para a Ufal, colheu excelentes frutos e, agora, pretende continuar semeando novas oportunidades para outros alunos. “Eu vou dar dedicação exclusiva, trabalhar no laboratório do campus e adaptar a minha linha de pesquisa, mas vou continuar aqui [Campus A. C. Simões] também, até porque a gente nunca perde o laço”, contou, sendo um exemplo de que são esses vínculos acadêmicos que acrescentam no currículo da experiência.

Nunca deixar de ser estudante

Sabe aquela cadeira onde o aluno senta pra aprender? Pois é... quem escolhe ter mais conhecimento, dificilmente vai deixa-la vazia.

“Nós temos que estar atualizados nas áreas de atuação, o que implica em acompanhar as publicações nos principais periódicos das nossas áreas e áreas correlatas. Além disso, temos que escrever e executar projetos de pesquisa, relatórios e artigos científicos, revisar relatórios, projetos e artigos científicos para as agência de fomento e periódicos, edicão de periódico, comitê de conferências científicas, dentre outras atividades administrativas que o pesquisador, quando este também é professor, tem que realizar (aulas, participação em órgãos colegiados, comissões, coordenações de cursos de graduação e pós, chefia de departamento/instituto, etc.). Finalmente, temos também a tarefa de orientar, de conduzir o aluno no seu próprio processo de aprendizado sobre como provocar a fronteira do conhecimento científico. Com todas essas tarefas, é comum esquecermos que um dia, nós pesquisadores, fomos estudantes e passamos por todas as etapas de formação do pesquisador”, relatou André Lage, mostrando que a cadeira sempre vai estar ali, sabiamente disponível.