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25/08/2016 11h10 - Atualizado em 26/08/2016 09h58

Icat recebe pesquisador da Torre Alta de Observação da Amazônia

Júlio Tota, coordena o Laboratório de Desenvolvimento e Instrumentação Geofísica da Ufopa

Pesquisador Júlio Tota (à direita) destaca a importância da parceria científica entre a Ufal e Ufopa

Diana Monteiro - jornalista

A parceria entre a Universidade Federal de Alagoas e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) para o desenvolvimento de ações na área de monitoramento microambiental foi uma das definições resultadas da visita do professor Júlio Tota feita ao Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat). Tota é um dos pesquisadores da Torre Alta de Observação da Amazônia (Atto) e esteve na Ufal participando de uma banca de seleção para professor da unidade acadêmica atendendo convite do professor Roberto Lyra, também com estudos científicos desenvolvidos sobre o papel do ecossistema amazônico no contexto das mudanças climáticas.

Na universidade paraense Júlio Tota coordena o Laboratório de Desenvolvimento e Instrumentação Geofísica com ações voltadas a estações de monitoramento ambiental (microclima) e monitoramento em tempo real, onde foi desenvolvido um sistema de medida de microclima urbano. Segundo os pesquisadores, a cooperação a ser firmada fortalecerá as atividades na área e vem atender a uma demanda acadêmica e urbana. Permite também, a mobilidade acadêmica na graduação e pós-graduação entre as duas instituições e trará grandes benefícios para a sociedade.

Os pesquisadores explicam que entre as aplicabilidades do sistema estão: medição da qualidade do ar, da água, de gases tóxicos, de efeitos estufas, assim como monitoramento de tremores de terra e de chuvas. “Além de ser de baixo custo e fazer previsão de curtíssimos prazos proporcionando um sistema rápido de alertas, o equipamento, que é movido a energia solar e, portanto, sustentável, pode ser facilmente colocado em qualquer ambiente. No produzido na Ufopa, que se encontra em nível de patente, estão adaptados 80 sensores”, enfatiza Júlio, que também desempenha atividades institucionais na Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação daquela instituição.

Na Universidade Federal de Alagoas o sistema de medida de microclima (protótipo em fase de testes) está em desenvolvimento pelo grupo liderado por Roberto Lyra sob a coordenação do professor Rosiberto Salustiano. Lyra reforça a importância do equipamento para as ações científicas e para a sociedade. “80% da população estão nos centros urbanos, provocando o que se denomina na meteorologia de ‘ilhas de calor urbano’, originada por fatores, como: grande produção de fonte de calor pela queima de combustível, pavimentação [asfalto], e ocupação desordenada devido à falta de planejamento nas cidades do país. A parceria com a instituição paraense além de acelerar e dinamizar as ações acadêmicas e científicas, poderá resultar também em colocar o importante equipamento à disposição da sociedade local e regional”, frisou.

Meteorologia e demanda

Júlio Tota acrescenta que atualmente no mundo a temática que preocupa é o clima, o que torna crescente à demanda da ciência Meteorologia para as definições de adaptação às mudanças climáticas. Mas, segundo ele, mesmo assim, falta no Brasil financiamento para aprimorar o modelo de previsão que requer financiamento, assim como centros voltados à formação na área. E diz: “ Nos Estados Unidos existem cerca de 150 escolas com formação em Meteorologia, enquanto no Brasil há apenas 12. O país ainda não despertou para a importância dos estudos que a área exige e nem para a crescente demanda existente”, enfatizou.

Doutor em Física da Atmosfera, o professor Roberto Lyra, da Ufal, juntamente com o professor Marcos Moura, do Icat integram a equipe de pesquisadores da Torre Atto o que destaca a Ufal como a única universidade do Nordeste a participar do considerado maior experimento do mundo voltado às mudanças climáticas. A torre, com 325 metros de altura, está instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatum, localizada no município de São Sebastião do Uatumã, a 247 quilômetros de Manaus, vem monitorando as complexas interações entre a atmosfera e a floresta.

O observatório é dotado de instrumentos científicos de alta tecnologia para medir, com precisão, sem precedentes, os fluxos amazônicos de calor, água e gás carbônico e possibilitará à equipe de pesquisadores fazer a análise precisa e detalhada dos padrões de ventos, umidade, absorção de carbono, formação de nuvens e parâmetros meteorológicos.

Inaugurada em agosto de 2015 a Torre Atto pela grande altura que tem e estrutura montada, proporcionará estudos nas áreas de climatologia, micrometeorologia e química da atmosfera. O avançado observatório fará com precisão o monitoramento dos gases de efeito estufa, liberados pela floresta, e analisados a radiação solar, o ciclo hidrológico, as partículas de aerossóis e seus efeitos sobre a vegetação e sobre os ciclos de nutrientes na floresta.

Sobre a torre, a ser concluída em 2017, Roberto Lyra e Júlio Totta informam que se encontra em fase de compra de sensores a serem adquiridos pelo Brasil e Alemanha, representado no Projeto pelo Instituto Max Planck. “As medições científicas vêm sendo feitas por cerca de 15 torres de menores portes [80m e 40m] instaladas em toda a Amazônia”, acrescentaram.