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24/11/2015 19h22 - Atualizado em 26/11/2015 08h13

Cerca de 170 alunos do ensino fundamental e médio participam do Matfest

Iniciativa reúne vários eventos simultâneos e acontece até a sexta-feira, 27, no Campus A.C. Simões

Alunos do ensino fundamental e médio participam do Matfest

Lenilda Luna – jornalista

O Instituto de Matemática da Universidade Federal de Alagoas está bastante movimentado durante essa semana. Dezenas de estudantes de várias idades, do ensino fundamental à pós-graduação, estão compartilhando experimentos que demonstram como a matemática está presente em nosso cotidiano. Eles estão participando do Matfest, um evento que acontece anualmente desde 2004, e que neste ano vai até o dia 27 de novembro.

O Matfest reúne vários eventos, como o MatExpo, que é uma exposição dos alunos do ensino fundamental e médio, além de visitas guiadas aos laboratórios, seção olímpica para integração dos estudantes que participaram das Olimpíadas de Matemática e apresentação de pesquisas dos alunos de Pós-graduação. “Percebemos que, com a realização desses eventos e acompanhando os alunos que participam das olimpíadas, conseguimos atrair mais estudantes para o bacharelado e a licenciatura em Matemática”, garante o professor Isnaldo Isaac, coordenador do evento.

Nas salas dedicadas à Exposição de Matemática (MatExpo) a movimentação estava intensa. São 34 equipes que elaboraram projetos mostrando a presença da disciplina em vários aspectos da vida. Os alunos do 6º ano da Escola Sesi, por exemplo, resolveram abordar A Matemática na Natureza. “A natureza tem muitas formas geométricas, com a colmeia, que é um hexágono, onde as abelhas acumulam mais mel, utilizando menos cera”, explica o aluno Luís Miguel. Outro integrante da mesma equipe, Arthur Quintino, complementa que aprender matemática com aplicações do dia a dia é muito melhor. “Assim a gente aprende o que gosta”, diz o aluno.

O professor Urandyr Carlos, da Escola Sesi, fica entusiasmado com os alunos. "Eles participam de equipes de robótica, astronomia, matemática, são monitores em sala de aula. Assim, vão desenvolver habilidades nas áreas de Física, Matemática, Mecatrônica, dentre outras. É um leque de oportunidades que se abre para eles num mundo cada vez mais tecnológico. Eles percebem mais cedo que a matemática está no carrinho do supermercado, no lanche da praia e agora nos bytes que dominam a linguagem num mundo cada vez mais tecnológico", enfatiza o professor.

Entre os expositores também estiveram alunos cegos da Escola Cyro Acioly. Eles demonstraram para os visitantes como conseguem, mesmo sem enxergar, fazer contas, utilizando recursos didáticos adaptados, como o Soroban, que é a calculadora deles. A professora Neuma Maria dos Santos Bezerra destaca que é um grande desafio ensinar aos deficientes visuais porque os recursos destinados para esses estudantes ainda são escassos. “Eu tive que desenvolver algumas estratégias para conseguir dar aulas que ajudassem no desenvolvimento deles”, ressalta.

Compartilhando a paixão pelos números

Pois é, a disciplina que para muitos estudantes é um bicho de sete cabeças, para alguns é uma verdadeira paixão. Um exemplo bem claro disso é Alan da Silva Pereira, que foi aluno do bacharelado em Matemática da Ufal e agora faz doutorado no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro. O doutorando está no Matfest compartilhando experiências na seção Olímpica com estudantes do ensino fundamental e médio.

Alan também começou a se dedicar a essa área no ensino fundamental. Ele participou de várias edições da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) e ganhou medalha de ouro duas vezes. Em 2008, o estudante foi manchete nacional ao receber a medalha das mãos do então presidente Lula. "Eu também participei de edições do Matfest e decidi que queria estudar Matemática aqui na Ufal. Conheci pessoas que me motivaram a seguir esta carreira acadêmica e agora quero fazer isso por outros estudantes", disse ele.

Dentre os estudantes atentos às explicações de Alan, estava Kristhyellen Oliveira, de 13 anos, aluna do 8º ano do Colégio Nunila Machado, que fica em São Miguel dos Campos (AL). A estudante participou da Olimpíada Alagoana de Matemática e ficou mais entusiasmada com essa área de estudo. "Quando comecei a participar dessas atividades eu vi que a Matemática é bem mais divertida do que as atividades em sala de aula. Mas ainda não sei se vou fazer como o Alan e seguir essa carreira. Eu também gosto muito de Ciências e ainda vou me decidir", pondera.

A docente Elisa Sena, do Instituto de Matemática, considera que esse contato com a Universidade e com os graduandos e pós-graduandos do curso é um grande estímulo para os alunos do ensino fundamental e médio. "Assim eles podem ver que a Matemática é divertida, é linda! Quando a gente ensina de forma atrativa, conquista a atenção do aluno. Para os professores e futuros professores, esse evento também é muito bom para incentivar novas formas de ensinar a disciplina", diz a professora com entusiasmo.

Durante a programação da Matfest haverá uma solenidade especial, no dia 26 de novembro, às 19h, no auditório da Reitoria, no Campus A.C. Simões, em Maceió, para premiar os medalhistas da Olimpíada Alagoana de Matemática e os três melhores trabalhos em exposição no MatExpo.